sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Avaliando a compreensão do texto.

Há poucas certezas sobre o povoamento do continente americano. No entanto, as certezas que existem podem nos ajudar a compreender um pouco melhor esse assunto. Entre as certezas, destaco: a origem alóctone desses grupos, ou seja, os grupos humanos que ocuaparam a América são oriundo de outros continentes, como você pode observar no mapa que está no post abaixo. Além disso, esses grupos eram formados por humanos, isto é, já pertenciam ao gênero Homo e à espécie Sapiens. Não há dúvida também que houve duas ondas migratórias para a América. Uma mais antiga - a do povo de Luzia - e uma mais recente, que deu origem aos índígenas americanos. Finalmente, os cientistas acreditam firmemente que foi pelo estreito de Bering que esses grupos chegaram. 

Tais certezas, contudo, não impedem que perguntas importantes sobre o povoamento da América ainda não tenham uma resposta conclusiva. Por exemplo: em que época esses grupos chegaram? Há 15, 20 ou 30 mil anos? Há mais tempo que isso? Teria sido a rota pelo estreito de Bering a única rota de entrada? Há um grupo de cientistas que defendem a rota do Pacífico, embora essa hipótese seja bastante criticada pela maioria da comunidade científica.

Abaixo, leia as perguntas propostas e as responda na área de comentários do blog. Para respondê-las consulte o texto do post abaixo e as informações sobre a Pré-História que estão no seu caderno.

  1. Que elementos presentes no texto indicam que o povo de Luzia vivia no período paleolítico?
  2. Faça a distinção entre a morfologia australo-melanésia e a morfologia mongolóide.
  3. Por que é incorreto concluir que o povo de Luzia era negróide?
  4. Onde foi encontrado o crânio de Luzia e qual a novidade que o estudo desse crânio trouxe para o estudo do povoamento da América?
  5. Segundo o autor, o povo de Luzia, por apresentar caracteríticas similares as do aborígenes da Áustrália, confirma que esse povo chegou à América pela rota do pacífico? Justifique.







Os pioneiros das Américas



Leiam, abaixo, trecho de um artigo publicado em 2005 na revista Nossa História. No próximo post faço alguns comentários e deixo algumas perguntas que avaliarão a compreensão do texto e dos conteúdos vistos em sala de aula.


ACHADOS MOSTRAM QUE OS PRIMEIROS HABITANTES DO CONTINENTE SE PARECIAM MAIS COM OS POVOS DA AUSTRÁLIA E DA AFRICA DO QUE COM OS ÍNDIOS ATUAIS.



Eles foram os primeiros humanos a conhecerem as nossas terras. Se você está pensando nos portugueses, errou feio. Se nos índios, falhou novamente! Fisicamente eram semelhantes aos aborígenes australianos. Melhor pensar nos kung, da África do Sul, popularizados pelo filme Os deuses devem estar loucos. Trata-se do povo de Luzia. Sabemos agora que eles ocupavam toda a América Central e do Sul, e muito provavelmente a do norte também. Seus hábitos, organização social e estilo de vida eram parecidos com os dos índios atuais. Mas não eram agricultores: viviam exclusivamente da caça, da pesca e da coleta de vegetais e de outros produtos silvestres. No entanto, o que os distingue realmente dos indígenas que Cabral encontrou por aqui é sua biologia.

Os índios que vivem no Brasil e seus ancestrais remotos – que chegaram ao nosso continente há não muito mais do que 11 mil anos – são caracterizados por uma morfologia craniana (forma e feição da cabeça) similar aos asiáticos: mongóis, chineses e japoneses, por exemplo, denominados coletivamente como povos mongolóides. Já a feição dos primeiros americanos, que muito provavelmente chegaram ao Novo Mundo por volta de 13 ou 14 mil anos, era muito mais similar à dos australianos e africanos atuais. Sua morfologia craniana é denominada de “paleo-americana” (ou “australo-melanésia” no Velho Mundo). Não é correto chamá-los de “negróides”, já que não temos a menor ideia da cor da pele desses pioneiros. Essa é uma característica que passa por mudanças evolutivas muito rápidas, por ser uma resposta adaptativa à intensidade de insolação.

Mas uma coisa é certa. Estes povos também vieram da Ásia e entraram pelo estreito de Bering, que um dia já uniu o extremo norte do Alasca e da Sibéria. Mais tarde, os ancestrais dos índios atuais usaram a mesma rota. Pouca gente sabe, mas no leste da Ásia, antes do aparecimento da morfologia mongolóide, viveram povos similares aos autralo-melanésios de hoje e, portanto, muito parecidos com os paleo-americanos do passado.
Alguns autores acreditam que a morfologia mongolóide, caracterizada por uma cabeça arredondada, associada a uma face plana e larga, foi resultado da ação do frio intenso do norte asiático sobre a morfologia australo-melanésia. (caracterizada por uma cabeça oval, com a face projetada para frente e estreita). Outros acham que o fenômeno pode ter envolvido uma contribuição genética de europeus que chegaram à Sibéria pelo norte da Europa. De qualquer forma, há um certo consenso de que tal evolução se deu muito provavelmente entre o final do Plesistoceno e o início do Holoceno, em torno de 10 mil anos atrás. Por isso, não é necessário pensar em hipóteses mirabolantes, como por exemplo migrações pelo oceano da Austrália para a América do Sul, para explicar a presença no Novo Mundo de humanos similares aos aborígenes.

Este quadro começou a ser montado no final dos anos 80. Um de nós (Walter Neves), juntamente com o bio-antropólogo argentino Hector Pucciarelli, da Universidade de La Plata, analisou uma pequena amostra de crânios supostamente muito antigos, exumados pelo naturalista dinamarquês Peter Lund, na Gruta do Sumidouro, em Lagoa Santa, Minas Gerais, em meados do século XIX, comparando-os com esqueletos dos cinco continentes.

Walter Neves e Mark Hubbe; Revista Nossa História; Ano 2/n° 22; agosto de 2005. Págs 16 e 17.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Origem da Humanidade.




Quando se estuda a origem da humanidade um certo conflito se estabelece entre o que diz a Ciência e o que afirma as religiões. Por isso, quero esclarecer que o que vamos estudar a partir de agora é a explicação científica para a origem da humanidade. Sua Fé, ou sua convicção religiosa merece o nosso total respeito, e você está livre para discordar desse, daquele ou de todos os pontos. No entanto, discordar de uma explicação não implica ignorá-la, ou, simplesmente, dizer que se recusa a conhecê-la e discuti-la.

Não é nosso objetivo, com a explicação científica para a origem da humanidade, abalar suas convições de Fé. Nosso objetivo é mostrar que existe uma explicação científica para o surgimento dos grupos humanos, apenas isso.

No mapa abaixo, aparecem os locais onde foram encontrados os vestígios dos australopithecus:



Para os cientistas, há milhoes de anos, no continente africano, surgiram os primeiros hominídeos (nome que os cientistas dão aos ancestrais do homem moderno). Basicamente, os homínideos se dividem em dois grupos: o gênero Australopithecus e o gênero Homo. Na escala evolutiva, os hominídeos do gênero homo são mais recentes. A raça humana, por exemplo, pertence ao gênero Homo e à espécie sapiens. Vejam a figura abaixo.

Como distinguir um gênero do outro? Ou mesmo uma espécie da outra? Há várias formas. A mais conhecida, contudo, é aquela que avalia a capacidade craniana dos hominídeos. Geralmente, quanto maior a capacidade mais desenvolvido é o gênero ou a espécie do homínideo. Dessa forma, o crânio de um Australopithecus será menor que a de um Homo. 

Um equívoco comum entre os alunos é imaginar que cada nova espécie de hominídeo aparece quando a anterior desapareceu. É um erro. Há muitas evidências de que espécies diferentes tenham coexistido. O que explica a sobrevivência de uma espécie em relação a outra é o conceito de evolucionismo, criado por Charles Darwin em 1859, no livro  A Origem das Espécies.

Como os cientistas chegam à data dos fósseis encontrados? Há várias técnicas de datação de um fóssil. Uma das técnicas mais conhecidas é a do Carbono 14, que você pode saber mais lendo o box que está na página 9 do seu livro de história. A outra é a da Termoluminescência. A primeira é mais adequada para vestígios orgânicos, de até 70 mil anos, e a outra para os inorgânicos.

Além dessas técnicas, há a chamada datação indireta. Quando um artefato ou fóssil é encontrado numa camada geológica, os cientistas atribuem àquele artefato ou fóssil a idade da camada geológica. Essa é uma típica técnica de datação indireta.

Sobre o assunto recomendo os dois links abaixo.

1 - Mais um parente?

2 - Como nascem as hipóteses...



O CONCEITO DE PRÉ-HISTÓRIA



A divisão tradicional da história separa os períodos históricos em quatro idades: a idade antiga; a idade média; a idade moderna; e a idade contemporânea. Quando essa divisão se consolidou, no século XIX, uma pergunta inquietava os especialistas: como chamar o período que antecedeu o surgimento da escrita? Naquela época, acreditava-se que apenas as sociedades que dominavam a escrita podiam ter as suas realizações (história), conhecidas. Dessa forma, os grupos humanos e as sociedades que não dominavam a técnica da escrita viviam antes da história, portanto, na pré-história. A partir dessa premissa, os especialistas decidiram chamar de Pré-História esse período que começa com a origem da humanidade e vai até o surgimento da escrita.

O conceito de Pré-História destacado acima era o conceito no século XIX. Atualmente, considera-se um erro afirmar que as sociedades ágrafas (sem escrita) não podem ter as suas histórias estudadas. Vestígios materiais deixados pelos seres humanos, como: armas, vasos, ferramentas, pinturas, esculturas, entre outros exemplos, são fontes passíveis de revelar o passado desses grupos. Chama-se de cultura material esses vestígios

O conceito moderno de pré-história, portanto, afirma que a cultura material deixada por esses grupos revela como esses grupos viviam, se organizavam, produziam e quais as suas crenças. Enfim, mesmo sem a escrita, é possível conhecer a história desses grupos. 

Há várias ciências que ajudam no conhecimento do período pré-histórico. Juntas, suas descobertas vão clareando a escuridão desses tempos remotos. Entre essas ciências, podemos destacar a ARQUEOLOGIA, a ANTROPOLOGIA e a PALEONTOLOGIA.

Em sala de aula, e nas páginas 08 a 16 do seu livro de história mais informações serão acrescentadas para consolidar o conhecimento sobre esse assunto. Recomendo a leitura na página 7 do box DISSERAM A RESPEITO que esclarece o conceito científico de evolução.

Abaixo, um trecho do filme A Guerra do Fogo, de 1982, onde é possível ver como viviam os primeiros humanos.


Assistindo ao vídeo acima, escreva, na área de comentários, qual a importância do fogo para os grupos humanos na pré-história.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Estou muito feliz em tê-los como alunos!


Meus Queridos!

Sejam bem-vindos ao primeiro ano do ensino médio. A partir de agora vocês inauguram uma nova fase de preparação acadêmica com mais desafios e mais dificuldades, mas nem por isso menos interessante ou menos estimulante.

Nesse espaço do blog terei a alegria de postar textos, links, mapas, vídeos, áudio, tudo o que estiver ao meu alcance para juntos atingirmos o objetivo principal de qualquer professor que é fazer o aluno aprender.

Aqui você pode participar comentando, indicando links e, quem sabe, até mesmo postando alguma coisa, já pensou? Terei a maior alegria caso algum aluno ou vários se mostrem interessados em escrever nesse blog sobre o nosso conteúdo de história.

Falando em conteúdo, no primeiro ano estudaremos uma vasta gama de assuntos começando pelos primórdios da humanidade, e terminando lá pelo século XVII. É um período muito longo e por isso será fundamental a colaboração de todos para darmos conta de tanto trabalho.

Reitero a boas-vindas e estou ansioso para encontrá-los na segunda-feira, quando terá início o ano letivo de 2011.

Que Deus nos abençoe.

Prof. Zé Paulo.

sábado, 2 de outubro de 2010

As obras da renascença no detalhe.

Nas últimas duas semanas, estudamos a Renascença e o Humanismo. Para muitos historiadores esses dois movimentos inauguram o que se convencionou chamar de Era Moderna (século XV ao XVIII). Com efeito, tanto o Renascimento quanto o humanismo inauguram uma nova forma de interpretar o mundo e de relacionar com a arte. O antropocentrismo que foi substituindo pouco a pouco o teocentrismo foi com certeza a caracterítica mais evidente entre o período medieval que ia se obliterando e o mundo moderno que estava se formando.

Os quadros da renascença chamam atenção pela técnica da perspecetiva, pelo naturalismo, pelo resgate dos valores greco-romanos e, claro, pela beleza das obras.

É inescapável, quando se fala dos pintos da renascença, citar as obras dos grandes renascentistas da península itálica. Pois bem! Um site traz uma novidade impressionante. Imagine você vendo, no detalhe, mas bem no detalhe mesmo, algumas das obras mais famosas do renascimento italiano. Imaginou? Pare de imaginar e veja por si mesmo. Clique aqui e se impressione com a genialidade de alguns pintores da renascença.



quinta-feira, 2 de setembro de 2010

As Primeiras Cruzadas


Os turcos seljúcidas, um povo que se originou na Ásia Central e migrou para o Oriente Médio, adotando a fé islâmica, começou a conquistar grande parte do Oriente Médio. Os turcos seljúcidas conquistaram grande parte da Anatólia bizantina, e da Síria, Palestina e Jerusalém dos árabes. Os turcos seljúcidas foram menos tolerantes do cristianismo em comparação com os primeiros governantes muçulmanos tinham sido.

Em 1095 o imperador bizantino Aleixo I escreveu uma carta ao Papa Urbano II, em Roma, pedindo o apoio militar da Europa Ocidental contra a nova ameaça islâmica. Em sua carta, Aleixo I escreveu em detalhe gráfico como os turcos seljúcidas estava torturando peregrinos cristãos em Jerusalém. Papa Urbano II respondeu à carta apelando para os reis e os cavaleiros cristãos em toda a Europa, buscando uma cruzada religiosa para libertar a terra santa dos turcos, iniciando uma luta de 200 anos, hoje conhecida como as Cruzadas.

A Primeira ea Segunda Cruzada

Durante a Primeira Cruzada, os cristãos capturaram Jerusalém, após um longo cerco. Infelizmente, alguns muçulmanos e judeus da cidade foram massacrados, embora as fontes discordam sobre exatamente quantos morreram. Note-se que o massacre dos habitantes de uma cidade que se recusaram a entregar era uma prática comum neste momento.

Os territórios conquistados na Primeira Cruzada foram divididos em um número de estados cruzados ao longo da costa do Levante: o condado de Edessa, o Principado de Antioquia, o Condado de Trípoli, eo mais importante, o reino de Jerusalém. No entanto, os cruzados logo aprenderam que a parte mais difícil das Cruzadas não era capturar território em primeiro lugar, mas a defesa do território contra um inimigo paciente em uma terra estranha. O primeiro dos estados cruzados a serem tomadas pelas forças muçulmanas foi o condado de Edessa, que foi invadida pelos turcos seljúcidas em 1144, fazendo uma cruzada segunda, destinada a capturar a capital seljúcida de Damasco. A Segunda Cruzada falha neste objetivo principal, mas, pelo menos, parecia que os turcos não podiam capturar os outros estados cruzados.

A recuperação muçulmana de Jerusalém sob Saladino

Em 1169, Saladino, um general curdo no exército seljúcido assumiu o controle do Egito. Saladino foi um estrategista astuto. Em uma série de campanhas foi capaz de derrotar seu empregador anterior, os turcos seljúcidas, e assumir o controle do que restava dos territórios seljúcidas no Próximo Oriente. Fundou uma nova dinastia Ayubi. Os estados cruzados foram agora completamente cercada por um único império muçulmano governado por Saladino. Em 1187, Saladino começou uma guerra contra os estados cruzados, derrotando-os na Batalha de Hattin e recuperou Jerusalém e grande parte do território dos cruzados. Apenas um número de castelos e bem fortificada cidades costeiras (Tiro, Trípoli e Antioquia) foram capazes de resistir a Saladino.

A notícia da perda de Jerusalém na Europa chamou para a convocação da Terceira Cruzada. Rei Ricardo Coração de Leão de Inglaterra, Philip II de França e Frederico Barbaruiva, imperador do Sacro Império Romano, responderam à chamada. Frederico foi o primeiro a sair, ele escolheu a via terrestre através da Anatólia e teve alguns sucessos militares ao longo da estrada. No entanto, durante a travessia do rio Saleph caiu de seu cavalo e morreu, suas forças foram agora sem líder, e a maioria voltou para a Alemanha, apenas um punhado foi para Antioquia. As forças francesas e britânicas chegaram por via marítima, em primeiro lugar assumiram o controle do Chipre do governador bizantino que tinha se rebelado contra o Império Bizantino. Após desembarcarem no Levante, trazendo para a cidade de Acre e, em seguida, derrotaram as forças de Saladino na batalha de Apollonia. Nas negociações de paz com Saladino, Ricardo Coração de Leão optou por não exigir a entrega de Jerusalém, em si, mas em vez disso, insistiu em que os muçulmanos dessem acesso a todos os peregrinos cristãos à cidade sem impedimentos. Ricardo percebeu que uma Jerusalém cristã nunca estariam a salvo de represálias muçulmanas futuras. Seu plano era concentrar suas forças nas cidades costeiras da Terra Santa que poderia facilmente ser reabastecida por mar, por causa do poder superior naval das forças cristãs. Com estas bases, os cristãos poderia assegurar que os peregrinos cristãos poderiam entrar na cidade de Jerusalém com relativa facilidade.

Fonte: aqui